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Herpetofauna
Pelo menos 52 espécies ocorrem em toda a Bacia do Rio
Tibagi, das quais 40encontram-se foram registradas na região do Médio e Baixo
Tibagi, conforme os estudos de BERNARDE e MACHADO (2003), incluído no Livro A
Bacia do Rio Tibagi.
Embora esse número seja inferior ao encontrado da
Floresta Atlântica, não há dúvidas de que ele representa ainda uma
subestimativa da anurofauna da bacia, a qual encontra-se pouco conhecida
principalmente no terço superior onde predominam os ambientes naturais não
florestais.
Exemplo do pouco conhecimento deste grupo na bacia é
a recente descoberta de uma população de Hyla anceps, no médio Tibagi,
durante estudos relacionados aos impactos ambientais relacionados ao projeto da
U.H. Mauá. A população encontrada na área representa a única até hoje conhecida
no Estado do Paraná.
Das
154 espécies de répteis já registradas para o Estado do Paraná (Bérnils et
al., 2004), 118 ocorrem no trecho designado como Médio Tibagi (MT) e/ou na
porção leste do Estado, no domínio da Floresta Ombrófila Densa (FD) -
excluídas, por motivos óbvios, as cinco tartarugas marinhas.
Estas
118 espécies estão divididas em 16 famílias: uma de cágados (Chelidae), uma de
jacarés (Alligatoridae), oito de lagartos (Tropiduridae, Polychrotidae.
Leiosauridae, Gekkonidae, Teiidae, Gymnophthalmidae, Anguidae e Scincidae), uma
de cobras-de-duas-cabeças (Amphisbaenidae) e cinco de serpentes
(Anomalepididae, Boidae, Colubridae, Elapidae e Viperidae).
Quatro
dessas famílias estão presentes no Médio Tibagi (MT), mas ausentes na região da
Floresta Ombrófila Densa (FD): Tropiduridae, Scincidae, Boidae e Anomalepididae.
O contrário não acontece, ou seja, não há uma só família que esteja
representada na FD e ausente do MT.
Além
disso, é dada como certa a ocorrência de 77 répteis no MT, podendo ultrapassar
90 espécies caso sejam confirmadas outras 16 que talvez ocorram naquela região
(faltam pesquisas na região). Já para a FD, apenas 51 espécies de répteis têm
ocorrência confirmada no Paraná - com esse total não chegando sequer a 60, caso
as espécies de provável ocorrência sejam um dia confirmadas para esse bioma.
Também lhe faltam pesquisas, mas a FD é mais bem conhecida do que o MT.
Outro
dado relevante é que a região do MT abarca três répteis de elevado interesse
conservacionista: as serpentes Ditaxodon taeniatus e Lystrophis
histricus, bem como o lagarto Stenocercus azureus, enquanto a FD
abriga apenas uma espécie com esse status, a serpente Liophis amarali.
Outros três répteis sob suspeita de ameaça de extinção no Estado do Paraná
também são passíveis de ocorrer no MT: o lagarto Cnemidophorus vacariensis e
as serpentes Philodryas arnaldoi e Bothrops cotiara
Sem
dúvida, a diversidade maior encontrada no MT é decorrente da riqueza de
ambientes distribuídos pelos quatro biomas ali presentes: Estepe Gramíneo
Lenhosa (campos dos planaltos), Savana (cerrados), Floresta Ombrófila Mista
(floresta com araucária, nos planaltos) e Floresta Estacional Semidecidual (nos
vales dos rios), enquanto a FD conta com um único bioma, ainda que também
enriquecido pela variedade de ambientes que comporta (como matas de baixada e de
encosta, matas nebulares, campos de altitude, restingas e manguezais, por
exemplo).
Répteis
tipicamente heliófilos, rupícolas e campícolas exigem ambientes abertos e bem
ensolarados, secos ou úmidos. Boa parte das espécies próprias à região do MT (e
ausentes da FD) é composta por espécies com tais exigências: cerca de dez
lagartos e trinta serpentes se enquadram nesse grupo = espécies oriundas da
Estepe e/ou da Savana. Outro grupo ausente da FD, mas presente no MT, é o
representado pelas espécies planaltinas de matas frias (floresta com
araucária), tipicamente representado por Philodryas arnaldoi, Xenodon
guentheri, Pseudoboa haasi e Bothrops cotiara.
Em
alguns gêneros, a maioria das espécies demonstra preferência pelos ambientes do
Planalto, como é o caso de Pantodactylus, Ophiodes, Mabuya,
Amphisbaenia, Liophis, Oxyrhopus e Philodryas. Por
outro lado, quase todos os gêneros que preferencialmente habitam a FD possuem
espécies nos planaltos e vales do MT, como nas serpentes Chironius, Dipsas,
Echinanthera; as únicas exceções estão em dois gêneros de lagartos
exclusivos de florestas extremamente úmidas: Diploglossus e Placosoma.
Finalizando,
fica evidente a superioridade numérica (biodiversidade) do MT sobre a FD quando
são avaliadas apenas as espécies de répteis ocorrentes no Paraná,
principalmente se considerada a área significativamente menor do MT (1.820 km2) em relação aos 11.000 km2 de FD presentes no Estado.
Texto: Renato Silveira Bérnils Museu Nacional do Rio de Janeiro
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