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Peixes

A fauna de peixes da bacia do Tibagi inclui pelo menos 115 espécies que ocorrem de forma diferenciada nos ambientes do rio Tibagi e seus afluentes.

Na maioria dos rios do planeta a riqueza de espécies tende a aumentar na medida em que o rio ganha volume e demonstra maior heterogeneidade de biótopos. Contudo, há uma peculiaridade quanto ao Tibagi e sua fauna ictíica. Conforme observado em BENNEMANN (1995) há uma descontinuidade de aumento de espécies na altura de Telêmaco Borba, onde o número de formas registradas mostra-se extremamente reduzido com relação aos trechos de montante e jusante. Porém, com a recuperação da qualidade da água, em função da oxigenação proporcionada pelas  corredeiras existentes rio abaixo, a fauna de peixes do Tibagi se recupera, apresentando a maior riqueza e diversidade de peixes na região de Sapopema.

O Tibagi apresenta um número elevado de espécies migradoras e de grande porte já extintas em outros rios da bacia do Paraná, onde as grandes barragens eliminaram enormes extensões de rio. Salminus brasiliensis (dourado), Steindachneridion scripta (sorubim), Pseudoplastystoma corruscans (pintado), prochilodus lineatus (corimbata) e Leporinus elongatus (piapara), são apenas alguns exemplos dessa exuberante fauna aquática.

A uma gritante relevância do Tibagi com relação aos demais rios do estado como o Piquiri, afluente direto do rio Paraná cuja extensão e área drenada são até superiores às do Tibagi, mas cuja fauna conhecida apresenta não mais do que 57 espécies, portanto, a metade do encontrado no Tibagi.

A diversidade de espécies de pequeno porte restritas a afluentes e pequenos tributários também é uma característica da bacia. Muitas vezes tais espécies dependem de condições ambientais próprias das cabeceiras ou do Médio Tibagi.

Pelo menos cinco espécies de cascudos do gênero Hypostomus podem representar espécies novas, muitas vezes dependentes dos ambientes de corredeira abundantes ao longo do Tibagi.

Estudos em campo realizados na região do Médio Tibagi, onde se pretende estabelecer grandes barragens, mostraram que a produtividade pesqueira pode ser até dez vezes superior ao verificado em reservatórios como o de Itaipu e outros da Bacia do Paranapanema. Com uma diferença fundamental: as espécies nobres capturadas no Tibagi já desapareceram nesses reservatórios

 

Herpetofauna

Pelo menos 52 espécies ocorrem em toda a Bacia do Rio Tibagi, das quais 40encontram-se foram registradas na região do Médio e Baixo Tibagi, conforme os estudos de BERNARDE e MACHADO (2003), incluído no Livro A Bacia do Rio Tibagi.

Embora esse número seja inferior ao encontrado da Floresta Atlântica, não há dúvidas de que ele representa ainda uma subestimativa da anurofauna da bacia, a qual encontra-se pouco conhecida principalmente no terço superior onde predominam os ambientes naturais não florestais.

Exemplo do pouco conhecimento deste grupo na bacia é a recente descoberta de uma população de Hyla anceps, no médio Tibagi, durante estudos relacionados aos impactos ambientais relacionados ao projeto da U.H. Mauá. A população encontrada na área representa a única até hoje conhecida no Estado do Paraná.

Das 154 espécies de répteis já registradas para o Estado do Paraná (Bérnils et al., 2004), 118 ocorrem no trecho designado como Médio Tibagi (MT) e/ou na porção leste do Estado, no domínio da Floresta Ombrófila Densa (FD) - excluídas, por motivos óbvios, as cinco tartarugas marinhas.

Estas 118 espécies estão divididas em 16 famílias: uma de cágados (Chelidae), uma de jacarés (Alligatoridae), oito de lagartos (Tropiduridae, Polychrotidae. Leiosauridae, Gekkonidae, Teiidae, Gymnophthalmidae, Anguidae e Scincidae), uma de cobras-de-duas-cabeças (Amphisbaenidae) e cinco de serpentes (Anomalepididae, Boidae, Colubridae, Elapidae e Viperidae).

Quatro dessas famílias estão presentes no Médio Tibagi (MT), mas ausentes na região da Floresta Ombrófila Densa (FD): Tropiduridae, Scincidae, Boidae e Anomalepididae. O contrário não acontece, ou seja, não há uma só família que esteja representada na FD e ausente do MT.

Além disso, é dada como certa a ocorrência de 77 répteis no MT, podendo ultrapassar 90 espécies caso sejam confirmadas outras 16 que talvez ocorram naquela região (faltam pesquisas na região). Já para a FD, apenas 51 espécies de répteis têm ocorrência confirmada no Paraná - com esse total não chegando sequer a 60, caso as espécies de provável ocorrência sejam um dia confirmadas para esse bioma. Também lhe faltam pesquisas, mas a FD é mais bem conhecida do que o MT.

Outro dado relevante é que a região do MT abarca três répteis de elevado interesse conservacionista: as serpentes Ditaxodon taeniatus e Lystrophis histricus, bem como o lagarto Stenocercus azureus, enquanto a FD abriga apenas uma espécie com esse status, a serpente Liophis amarali. Outros três répteis sob suspeita de ameaça de extinção no Estado do Paraná também são passíveis de ocorrer no MT: o lagarto Cnemidophorus vacariensis e as serpentes Philodryas arnaldoi e Bothrops cotiara

Sem dúvida, a diversidade maior encontrada no MT é decorrente da riqueza de ambientes distribuídos pelos quatro biomas ali presentes: Estepe Gramíneo Lenhosa (campos dos planaltos), Savana (cerrados), Floresta Ombrófila Mista (floresta com araucária, nos planaltos) e Floresta Estacional Semidecidual (nos vales dos rios), enquanto a FD conta com um único bioma, ainda que também enriquecido pela variedade de ambientes que comporta (como matas de baixada e de encosta, matas nebulares, campos de altitude, restingas e manguezais, por exemplo).

Répteis tipicamente heliófilos, rupícolas e campícolas exigem ambientes abertos e bem ensolarados, secos ou úmidos. Boa parte das espécies próprias à região do MT (e ausentes da FD) é composta por espécies com tais exigências: cerca de dez lagartos e trinta serpentes se enquadram nesse grupo = espécies oriundas da Estepe e/ou da Savana. Outro grupo ausente da FD, mas presente no MT, é o representado pelas espécies planaltinas de matas frias (floresta com araucária), tipicamente representado por Philodryas arnaldoi, Xenodon guentheri, Pseudoboa haasi e Bothrops cotiara.

Em alguns gêneros, a maioria das espécies demonstra preferência pelos ambientes do Planalto, como é o caso de Pantodactylus, Ophiodes, Mabuya, Amphisbaenia, Liophis, Oxyrhopus e Philodryas. Por outro lado, quase todos os gêneros que preferencialmente habitam a FD possuem espécies nos planaltos e vales do MT, como nas serpentes Chironius, Dipsas, Echinanthera; as únicas exceções estão em dois gêneros de lagartos exclusivos de florestas extremamente úmidas: Diploglossus e Placosoma.

Finalizando, fica evidente a superioridade numérica (biodiversidade) do MT sobre a FD quando são avaliadas apenas as espécies de répteis ocorrentes no Paraná, principalmente se considerada a área significativamente menor do MT (1.820 km2) em relação aos 11.000 km2 de FD presentes no Estado.

Texto: Renato Silveira Bérnils
Museu Nacional do Rio de Janeiro

 

Aves

 

Mamíferos

Considerando-se toda a bacia hidrográfica do Tibagi, a fauna de mamíferos inclui 100 espécies distribuídas em nove ordens, o que representa aproximadamente 70% das espécies e 100% das ordens de mamíferos terrestres ocorrentes no Estado do Paraná.

No Médio Tibagi, onde se pretende estabelecer os projetos Mauá e Telêmaco Borba, são registradas 57 epécies nas áreas naturais sob ameaça de alagamento. Destas, 21 são consideradas sob algum grau de ameaça no Estado do Paraná, várias delas, como Myrmecophaga tridactyla (tamanduá-bandeira), Panthera onça (onça), Chrysocyon brachyurus lobo-guará) e Tapirus terrestris (anta) apresentam uma condição bastante crítica de ameaça para as populações remanescentes em escala regional.

Essas espécies apresentam indícios de que suas populações estão decrescendo pelo excesso de exploração e destruição de hábitats, ou por outro distúrbio ambiental, podendo ser regionalmente extintas no caso da implantação dos projetos.

Além do grande número de espécies ameaçadas, o Médio Tibagi apresenta aspectos únicos relacionados às características de cobertura vegetal, originalmente composta por Floresta Estacional Semidecidual, Floresta Ombrófila Mista e Estepe gramíneo-lenhosa. Esse encontro explica a composição desta fauna mamíferos singular em todo Estado, com espécies exclusivamente florestais, como o bugio-ruivo (Alouatta guariba), a onça-pintada (Panthera onca), o veado-bororó (Mazama nana), a anta (Tapirus terrestris) e o queixada (Tayassu pecari), espécies que combinam o uso de capões florestais e dos campos, como o puma (Puma concolor) e o tamanduá-mirim (Tamandua tetradactyla), e espécies típicas de áreas abertas, como o tamanduá-bandeira (Myrmecophga tridactyla) e o lobo-guará (Chrysocyon brachyurus).

Texto base: Teresa Cristina Margarido
Museu de História Natural do Capão da Imbuia

 
 
 

 

 

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