A Liga Ambiental

Justiça Ambiental

Foros de Atuação

Mídia

Contato

Home

 

 

 

 

 

A Bacia do Tibagi

A Bacia do Rio Tibagi inclui 24.712 Km2 do território paranaense. Entre suas nascentes e a foz no rio Paranapanema o Tibagi percorre pelo menos 616 quilômetros*, caracterizados em grande parte por extensos trechos de corredeira.

A notável heterogeneidade de características físicas (base geológica, relevo, solos e clima) resulta em igual diversidade de ambientes naturais e padrões de ocupação humana ao longo da bacia.

 

As nascentes do rio Tibagi encontram-se na região do Arenito Furnas, formação geológica responsável pela relativa constância de seu regime hídrico. Por isso, diferente do que ocorre em outras grandes bacias paranaenses como a do Ivaí e Piquiri, onde o rio adquire volume e constância de água apenas em suas porções finais, o rio Tibagi já se mostra caudaloso já na sua metade superior.

Infelizmente esta curiosa virtude é vista apenas sob o ponto de vista do monopólio energético, que pretende utilizar a água do rio Tibagi prioritariamente para a geração de energia hidrelétrica, desconsiderando os usos múltiplos possíveis. Contudo, essa visão sectária conflita com as aptidões e o grande patrimônio ambiental ainda existente na bacia.

Ao nascer em altitudes próximas a 1.200 metros, até aproximadamente 700 metros de altitude, o Tibagi é bordado por um mosaico de ambientes definido como Estepe-gramíneo-lenhosa, onde campos secos e úmidos, florestas de galeria, capões de araucária e o cerrado concorrem na formação da paisagem com as grandes áreas agrícolas.

Nesta região o relevo suave ondulado e a aptidão dos solos permitiram o estabelecimento de uma economia voltada ao agronegócio, resultando em uma condição diferenciada na bacia em termos socioeconômicos. Nesta região os índices de desenvolvimento humano apresentam-se relativamente altos.

 

Contudo, os usos intensivos do solo, as concentrações urbanas e a atividade industrial poluem a água e o rio Tibagi de maneira muito severa, culminando com a impressionante perda de diversidade de espécies de peixes na altura da cidade de Telêmaco Borba, onde apenas 8 espécies de peixes foram registradas por estudos feitos por pesquisadores da UEL (BENNEMANN, et. al., 1995)

A partir do município de Telêmaco Borba o rio se aprofunda em um vale cada vez mais encaixado, atravessando bases geológicas muito diferenciadas (Grupo Itararé, Formações Rio Bonito, Palermo, Irati, Serra Alta e Teresina) chegando à região de São Jerônimo a aproximadamente 450 metros de altitude.

 

Nesse trecho (Médio Tibagi) o leito extremamente acidentado é atravessado por dezenas de diques de diabásio, onde sucedem corredeiras, saltos e cachoeiras. Ali o Tibagi passa por um processo de auto-depuração da água, recuperando grande parte de sua fauna de peixes que, em menos de 50 quilômetros, ganha 75 espécies. Também os ambientes terrestres florestais de transição abrigam uma área de megabiodiversidade recentemente reconhecida por cientistas.

Em seu terço final o Tibagi drena uma região onde predominam os solos mais férteis do mundo. A exemplo do que ocorre nas áreas mais altas, solos férteis e relevo suave voltam a ser utilizados de forma intensa, resultando em ganhos econômicos e perda de qualidade ambiental. Ainda assim o Tibagi encontra a Represa de Capivara tendo oferecido para os municípios de Ibiporã, Jataizinho, e Londrina a água para o abastecimento público, irrigação e produção industrial.

Conclusão

De uma forma muito clara a análise dessas características físicas, biológicas e sociais encontradas ao longo da Bacia do Tibagi demonstra que os municípios centrais como Curiúva, Ortigueira e São Jerônimo sofrem com a poluição e os impactos vindos dos municípios rio acima, ao mesmo tempo em que possibilitam a recuperação da água e da biodiversidade nos municípios situados rio abaixo.

No entanto, aqueles municípios apresentam os menores índices de desenvolvimento humano, a despeito dos serviços ambientais que oferecem aos demais. O planejamento do uso e da cobrança da água na bacia deverá contemplar esta situação, reconhecendo os serviços ambientais prestados e favorecendo economicamente os municípios para que as atuais distorções sejam reduzidas.

Neste contexto é possível reconhecer uma apropriação diferenciada dos bens naturais da bacia (solo, água, biodiversidade), que coloca os municípios centrais e suas populações a uma condição periférica em termos de desenvolvimento humano.

A instalação de projetos hidrelétricos na região, ao contrario do que posturas casuístas e empreiteiras alardeiam, levaria a ampliação dos contrastes socioeconômicos hoje verificados e à eliminação das características responsáveis pela manutenção e recuperação da qualidade ambiental na bacia.

 

 
       

 

 

Copyrigth Liga Ambiental Cidadania e Meio Ambiente