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Representação da sociedade civil

A Liga Ambiental procura representar a sociedade civil nos espaços de atuação legalmente instituídos. Contudo, entende que a participação nesses foros (conselhos, comitês) deve ser amparada pela legitimidade e pela legalidade.

Atualmente são muitos os espaços criados visando a participação da sociedade civil, embora boa parte deles não sejam reconhecidos como importantes pelos governos.

A Liga Ambiental trabalha intensamente pelo fortalecimento político de tais espaços, notadamente do Conselho Estadual de Recursos Hídricos e Conselho Estadual de Meio Ambiente


Conselho Estadual de Meio Ambiente


O Conselho Estadual de Meio Ambiente é um órgão colegiado que tem tido uma atuação muito tímida. Isso se deve não só à postura dos conselheiros indicados pelo Governo do Estado, mas também pelo modo como ele está estruturado juridicamente.

Ainda, não há nenhuma Câmara Técnica permanente em funcionamento, o que demonstra a falta de estrutura de que o Conselho dispõe para deliberar. Diante dessas circunstâncias, o objetivo da Liga Ambiental é compor uma espécie de bancada dos representantes da sociedade civil organizada, a fim de que se possa atuar em conjunto. Em paralelo, a Liga Ambiental está articulando uma reformulação das feições jurídicas do Conselho, tudo no intuito de aumentar a sua capacidade de deliberar políticas públicas mais consoantes com o desejo da sociedade.


Conselho Estadual dos Recursos Hídricos


O Governo Roberto Requião impediu o funcionamento do CERH por quase dois anos, numa demonstração de desrespeito à sociedade civil organizada, à democracia, à lei e aos decretos que regulamentam o funcionamento do Sistema Estadual dos Recursos Hídricos.

Esta resistência se deve ao fato de que não havia, como de fato ainda não há, um discernimento compartilhado nos vários setores do Governo acerca de como a gestão da água deve se dar.

Os técnicos da Secretaria de Agricultura têm uma visão sistêmica muito mais avançada do problema, enquanto que setor burocrata continua com um visão obtusa, pela qual é entendido como uso do recurso hídrico somente a captação e a diluição de efluentes por cursos d'água. Esquecem eles que a água está no solo, no ar e nos seres vivos e não somente nos rios e lagos. Aliás, todos os seres vivos são feitos de água, inclusive os próprios burocratas, mas ao que parece eles ignoram esse fato à conveniência de interesses de grandes empreendedores como a SANEPAR e a COPEL.

Com efeito, somente depois de ter sido ajuizada uma ação civil pública e, depois do fato ter sido amplamente noticiado na imprensa local (Gazeta do Povo de 18 de fevereiro de 2004) e na especializada (
jornaldomeioambiente.com.br) é que o Governo tomou as providências necessárias para reunir o CERH, o que ocorreu somente no dia 19 de maio de 2004.

Nesta reunião foi apresentada finalmente a proposta de alteração do modelo paranaense de gestão dos recursos hídricos, que até aquela reunião tinha uma conformação baseada no modelo adotado no vale do Ruhr, em que os usuários organizados em agências de bacia fazem a gestão dos recursos arrecadados com a cobrança pelo uso da água.

A proposta aprovada na reunião do dia 19 de maio faz com que o sistema paranaense passe a coincidir com o modelo francês adotado também no nível federal, isto é, em que uma agência pública, uma autarquia, é quem faz a gestão dos recursos arrecadados conforme as deliberações de um comitê de bacia formado por governos, usuários e sociedade civil organizada.

No entanto, os fins não justificam os meios e, o aparente aperfeiçoamento do sistema não justifica a forma pela qual o Governo tem conduzido o processo: de modo arbitrário, pois ainda reluta e muito em permitir que o Conselho exerça plenamente suas funções. A primeira votação efetuada negou a proposta de se criar uma câmara técnica que pudesse fazer os aperfeiçoamentos que a agência de bacias, a SUDERHSA, necessitava em seus atos constitutivos. Contudo, e paradoxalmente, em seguida foi aprovada, depois de intensos debates e insistências da Liga Ambiental, uma resolução pela qual foi criada uma Câmara Técnica que tem por competência a análise da proposta de modificação na legislação estadual.

Essa Câmara Técnica reuniu-se no dia 15 de junho onde foi aprovada uma proposta que contemplou alguns dos pleitos da sociedade civil organizada. O mais significativo deles é a obrigatoriedade da SUDERHSA em apresentar anualmente ao CERH relatórios de aplicação dos recursos do Fundo Estadual dos Recursos Hídricos. As demais proposições feitas no sentido de se aumentar a transparência no processo decisório do Poder Executivo foram barradas. De quebra, a proposta que o próprio Governo havia feito antes: de retirar as isenções pelas captações de água do setor agropecuário, foi vencida e o chamado agronegócio continuará a fazer jus a esse benefício imoral.

A Liga Ambiental ainda solicitou que fosse criada uma Câmara Técnica para que seja dado início à consolidação do Plano Estadual dos Recursos Hídricos, proposta esta que nem mesmo foi pautada ainda, o que é um atraso tremendo diante da mobilização que já se faz em todo o país em torno do Plano Nacional dos Recursos Hídricos.

Uma outra proposta que ainda não foi votada é a retomada dos trabalhos da Câmara Técnica do Fundo Estadual dos Recursos Hídricos, onde será feito o controle social sobre o emprego das verbas. A Liga Ambiental se candidatou para realizar essa tarefa e, desde já assume o compromisso público de trazer para esse espaço todas as informações a que tiver acesso sobre o emprego dos recursos.

Comitê de Bacia do Rio Tibagi

A atuação da Liga Ambiental perante o Comitê de Bacia do Rio Tibagi se dá, por enquanto, como suplente da ONG Patrulha das Águas de Londrina.

Com a execução da expedição científica pelo rio Tibagi, a Liga Ambiental recolheu muitas informações inéditas sobre a bacia e, assim, poderá participar de forma propositiva na discussão das questões de conservação dos recursos naturais da região, fornecendo opiniões balizadas em conhecimento científico durante a consolidação e a execução do plano de uso da bacia, que ainda não começou.

Aliás, já foram feitos três estudos diferentes com o intuito de se iniciar a consolidação um plano de uso para a bacia do Tibagi. O primeiro estudo, de 1993, feita por uma equipe da Japan International Cooperation Agengy, chefiado pelo Sr. Koichi Uzuka, a pedido da Secretaria do Desenvolvimento Urbano e da Secretaria de Planejamento do Paraná, resultou num plano diretor de recursos hídricos e está à disposição na internet para consulta (
http://www.hidricos.mg.gov.br/ufparana/relprin3/indice.htm). Os demais estudos estão em poder do COPATI, o consórcio de municípios e usuários da bacia do Tibagi, pois foram contratados durante o período em que esta instituição almejava a condição de agência de bacia. Contudo, com a eleição do Governo Roberto Requião, houve uma mudança radical na condução da política estadual dos recursos hídricos e os consórcios de municípios e usuários de bacia perderam o status de agências (Decreto Estadual nº 1651 de agosto de 2003).

O estudo mais recente foi apresentado para o Comitê de Bacia no segundo semestre de 2002 e, apesar de ter contado com a participação de vários profissionais capacitados, o fato é que as conclusões apresentadas foram todas baseadas em dados parciais. Isto é, o fundamento das constatações feitas pelos técnicos foram as informações fornecidas apenas por COPEL e SANEPAR, que são dois dos maiores e mais interessados usuários de recursos hídricos do Estado e que têm empreendimentos comerciais projetados para a região. Sendo assim, estão comprometidas cada qual com o seu negócio e não poderiam ter sido a única fonte para os técnicos. É preciso dizer aqui sobre o histórico embate entre as grandes empresas do setor elétrico e de abastecimento com as comunidades locais atingidas pelas barragens dos seus empreendimentos, fato este que
evidencia os riscos de adoção irrestrita de dados e visões oriundos destas empresas. Os técnicos encarregados pelos estudos apresentados ao Comitê não foram a campo, não fizeram medições e não buscaram outras fontes de informação. Ou seja, fizeram um estudo de gabinete, distanciado da realidade fática o qual não serve para balizar um plano de uso democrático para a bacia. E, por isso, o trabalho no Comitê será de crucial importância para que estas falhas sejam efetivamente corrigidas.

Por outro lado, as alterações no Sistema Estadual dos Recursos Hídricos estão levando muito tempo, por falta de agilidade, transparência e vontade política do Governo Roberto Requião e, por conta disso, os Comitês de Bacia não tem funcionado a contento.
As três últimas reuniões previstas para o Comitê não tiveram quórum, reflexo da política de desprestígio destes espaços adotada pelo atual Governo Requião. O resultado é um atraso lamentável que agrava a situação de precariedade no uso dos recurso hídricos da Bacia, que a Liga Ambiental documentou durante a expedição.

Comitê de Bacia do Alto Iguaçu e Alto Ribeira

Em agosto de 2005 a Liga Ambiental foi eleita pelas demais organizações não governamentais paranaenses para representar as ong's ambientalistas neste Comitê.

A proposta é estabelecer freqüentes encontros com as demais instituições atuantes na região, objetivando definir conjuntamente as questões a serem debatidas e deliberadas no seio do Comitê.

Embora o diploma legal que criou o Comitê limite geograficamente sua área de atuação, será inevitável a redefinição desses limites, uma vez que projetos hidrelétricos em licenciamento afetam toda a bacia, demandando a inserção desse tema na pauta das próximas reuniões.

 

 

 

 

 

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