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Alguns Impactos
Ambientais que ocorreriam com a construção de grandes barragens no
Tibagi
1. A qualidade da água do rio Tibagi
e seus afluentes depende da existência de corredeiras que reduzem a poluição
provocada pelo despejo de esgoto, resíduos da indústria de papel e pesticidas.
Se instalados os reservatórios das usinas receberiam uma carga enorme desses
poluentes e teriam águas impróprias para o consumo humano, desenvolvimento dos
peixes, pecuária e agricultura.
2. A perda
da qualidade da água no Médio Tiabgi seria sentida em toda a bacia,
principalmente rio abaixo, afetando a vida aquática e terrestre, como também os
pontos de abastecimento público que oferecem água do Tibagi para mais de 1
milhão de pessoas.
3. Uma
única barragem, a do projeto UH. Mauá, poderia afogar 5 mil hectares de um tipo
de floresta já eliminada de outras regiões do Paraná, a floresta de transição
entre o sul e o norte do Estado. Nesta região os pinhais (Floresta Ombrófila
Mista) e os perobais (Floresta Estacional Semidecídua) representam as florestas
mais ricas de todo Planalto Meridional Brasileiro
4. As
florestas existentes nas margens do Tibagi abrigam dezenas de espécies
ameaçadas de extinção tanto em nível estadual como mundial. A inundação dessas
florestas não poderia ser compensada pela aquisição ou pelo replantio de
florestas distantes do leito do rio, pois as condições de solo sempre serão
diferentes das originais, impossibilitando tecnicamente esta medida.
(Importante observar que em nenhum caso em que o Paraná licenciou grandes
barragens esta medida foi implementada antes ou após a instalação da barragem).
5.Os
reservatórios de grandes barragens, pela profundidade, falta de oxigênio, luz e
degradação da qualidade da água se tornam verdadeiros "desertos de
água", pois nas áreas com profundidades maiores do que 10 metros não há
condições mínimas para o desenvolvimento de uma fauna aquática semelhante
aquela existente nos rios.
6. As
espécies de peixes que necessitam da existência das corredeiras para obter
alimento ou reproduzir são pelo menos 70% da fauna do Tibagi. Estas espécies
seriam extintas ou pela destruição desses ambientes, ou pela construção das
muralhas de concreto com quase 100 metros ao longo do rio, impossíveis de serem
vencidas pelas espécies migratórias. Este impacto não é discutido nos estudos de
impacto forjados pelas empreiteiras que omitem e subestimam esta questão de
forma irresponsável e criminosa.
7. Os
mamíferos de grande porte existentes nas florestas da margem do Tibagi já foram
extintos em quase todo o Paraná. A anta, tamanduá-bandeira,veados, suçuarana e
outros gatos-do-mato, porcos-do-mato e dezenas de outras espécies da fauna
perderiam o último refúgio natural existente na região. Seu deslocamento para
fugir da inundação fatalmente levaria a acidentes de atropelamento, caça e mortes
por afogamento destes animais. Importante frisar que hoje não há
florestas ou ambientes capazes de receber nem mesmo os poucos animais
capturados nas tímidas operações de resgate solicitadas pelo IAP e conduzidas
pelas empreiteiras.
8. As
espécies de pequeno porte e menos aptas a fugir das inundações seriam em sua
grande parte afogadas pela rápida subida das águas.
9. A água parada e o
desequilíbrio ecológico nos ambientes aquáticos possibilita a multiplicação de
insetos nocivos para a saúde humana. Esta situação foi recentemente apontada
pela rede Globo com relação a grandes barragens na Amazônia, porém ocorrem com
freqüência em rios da Bacia do Paraná.
10. O sacrifício de trechos ou do rio
Tibagi como um todo, como pretende o inventário hidrelétrico realizado pela
COPEL, representaria também a perda do afluente mais importante do rio
Paranapanema. O Tibagi representa ainda a mais importante fonte de vida e saúde
ambiental deste sistema hídrico, por isso, não pode ser tratado de forma
irresponsável pelos órgãos ambientais envolvidos.
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